Pior.
Aquelas risadas baixas e agudas que ficam na memória por muito tempo.
"Isso é para ser um vestido?", perguntou um deles.
Eu não respondi.
Eu simplesmente fiquei lá.
Porque eu sabia que, se falasse, minha voz tremeria.
Então bateram à porta.
Não foi um golpe duro.
Simplesmente... firme.
Todos ficaram em silêncio.
Minha madrasta abriu.
Havia um homem de uniforme.
Postura ereta.
Expressão séria.
A atmosfera na sala mudou instantaneamente.
Ele perguntou sobre mim.
Então ele me entregou um envelope.
Lá dentro havia documentos.
Oficiais.
Realeza.
Meu pai havia deixado tudo preparado antes de falecer.
Apoiar.
Proteção.
Um futuro que ele garantiu que ela tivesse, não importando o que acontecesse depois que ele se fosse.
Eu não chorei.
Não naquele momento.
Simplesmente segurei os documentos em minhas mãos e senti algo mudar dentro de mim.
Pela primeira vez em muito tempo…
Ela não estava indefesa.
Quando saí por aquela porta em direção ao baile, nada mais foi o mesmo.
Nem mesmo a casa.
Nem as pessoas que viviam lá dentro.
Nem eu.
Eles zombaram do vestido.
Mas eles nunca entenderam.
Não tinha nada a ver com a aparência dele.
Era sobre as minhas raízes.
Com base no que eu tinha comigo.
Aquilo que eu me recusei a perder.
Naquela noite, eu não me senti invisível.
Eu não me senti pequena.